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Observatório do Carvão

Atividade carbonífera e seus danos socioambientais em Santa Catarina

Novidades

23/05/2010 Poeira em coqueria prejudica população de Rio Carvão, em Urussanga, denuncia ambientalista

As atividades de beneficiamento do carvão para a produção de coque vêm causando sérios danos ao meio ambiente na localidade de Rio Carvão, em Urussanga. Quem denuncia é o ambientalista Rodrigo Moretti, diretor do Instituto Eco&Ação para o sul catarinense. Utilizando-se de correio eletrônico, Moretti divulgou texto no qual aborda a degradação ambiental naquele local, objeto de reclamação da população, que “reclama de irritação na pele, garganta, narinas, além de intoxicação e graves danos ao sistema respiratório, e chegam a guardar o pó acumulado nas calhas e no piso das residências pra mostrar a quem quiser ver”.

Confira abaixo o conteúdo na íntegra:

Rio Carvão cada vez mais poluído

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
(Constituição Federal, 1988).


Sabemos que a situação ambiental, na região sul de Santa Catarina, é crítica. Quando analisamos o conjunto da carga poluidora gerada pela lavra, beneficiamento, transporte e estocagem do rejeito da mineração e pelas unidades produtoras de coque, vislumbramos o tamanho do estrago, que foi objeto de vários estudos, que apontaram dados quantitativos e qualitativos de extrema importância para o planejamento das ações governamentais e para o estabelecimento de uma política estadual de meio ambiente que pudesse combater estes crimes, mas infelizmente não foi o que ocorreu, nem mesmo os TACs e “retacs” não frearam o poder da poluição que deixou e vem deixando várias vítimas.

O Rio Carvão em Urussanga é mais um, entre os grandes afetados pelo poder destrutivo do beneficiamento do carvão, pude ver isto evidentemente, quando estive na comunidade do entorno, após ser procurado por moradores, e amigos ambientalistas, pude perceber que a produção do coque, envolve a movimentação de um tipo de pó, o qual é levado pelo vento, impregnando residências e vegetações, incluindo árvores frutíferas e plantações, cultivadas na região. A comunidade reclama muito de irritação na pele, garganta, narinas, além de intoxicação e graves danos ao sistema respiratório, e chegam a guardar o pó acumulado nas calhas e no piso das residências pra mostrar a quem quiser ver.

Após sobrevoo na região de Urussanga, pude constatar que o problema não se refere simplesmente ao passivo ambiental gerado pelas atividades passadas, com a expressiva presença e acúmulo crônico de materiais poluentes altamente tóxicos e letais no solo, no ar e nas águas, devida a oxidação da pirita em contato com o ar e a água, liberando ao meio ambiente gases, compostos de ferro e ácido sulfúrico, com valores que ultrapassam assustadoramente os estabelecidos pela legislação vigente, mas sim pela ingerência das empresas, que não fazem a sua parte, e continuam abrindo novas frentes de trabalho, que não sabemos se estão devidamente licenciadas, pois algumas unidades de produção das coquerias se encontram as margens do curso d’água, aparentemente sem o controle ambiental eficaz necessário a atividade.

Pois bem, continuo com a mesma impressão, de que estamos desamparados, pouca ou nenhuma fiscalização, degradação e prejuízos irreparáveis ao meio ambiente, pessoas cada vez mais descontentes e doentes, e do outro lado, muito dinheiro. E VIVA A IMPUNIDADE!!!

Rodrigo Moretti, gestor ambiental, diretor sul do Instituto Eco&Ação
e-mail: rodrigomoretti@ecoeacao.com.br

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