A realização de uma missa, na Igreja Matriz São Donato, em Içara, no dia 21 de dezembro passado, marcou um dos atos políticos mais importantes do MIV (Movimento Içarense pela Vida) contra a implantação de uma mina de carvão na localidade de Santa Cruz, interior do município. Centenas de agricultores, com o respaldo de 70 entidades da sociedade civil organizada, participaram do ato religioso pelo fortalecimento da resistência à atividade mineradora.
A mobilização, que iniciou há quase seis anos por parte dos agricultores, ganhou a adesão de diversos segmentos da população de forma oficial em um outro evento anterior, realizado em julho de 2008. Numa região habitada por cerca de 300 famílias, os agricultores temem que a abertura da mina possa comprometer as nascentes de água e a qualidade do solo que utilizam para o plantio. Situação já verificada em outras localidades da região carbonífera.
Responsável por 25% da produção agrícola içarense, Santa Cruz busca impedir que a exploração de carvão seja iniciada no local – a empresa Rio Deserto, dona da concessão de lavra do minério já conseguiu licença de instalação, mas ainda não iniciou a operação.
Canto de sereia
“Os agricultores tomaram a sábia medida de não serem seduzidos pelo canto de sereia, e foram às cidades vizinhas, onde a mineração é uma realidade. O que viram os deixou aterrorizados. Casas destruídas, perda de águas superficiais, contaminação do lençol freático, dos rios, a terra, febril, adoecia a olhos vistos, enquanto as cidades eram enfeadas permanentemente pelo rastro de carvão que ia ficando pelas ruas, e que lançava no ar uma poeira negra, que atacava irremediavelmente os pulmões infantis. Por conta disso, iniciaram um movimento de resistência”, afirma o MIV em carta aberta à comunidade, distribuída no dia 6 de julho de 2008.
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