Fernanda Zampoli|De Forquilhinha
Às 8h20min de ontem (30/6), quando desceu a mina em que trabalhava, foi a última vez que Rafael da Luz, 28 anos, viu a luz do sol. Por volta de 15h30min, uma hora antes de encerrar seu turno, ele morreu vítima de acidente de trabalho na Carbonífera Criciúma, no bairro Ouro Negro, em Forquilhinha. Segundo informações repassadas pelos companheiros de trabalho ao delegado Carlos Emílio da Silva, que esteve no local antes da retirada do corpo, Rafael teria sido atingido por uma pedra que se deslocou do teto. A suspeita é de que a laje, de aproximadamente 80 quilos e a dois metros de altura, tenha caído primeiro nas costas do mineiro, pescoço e por último na perna. O acidente aconteceu a 150 metros da superfície e três quilômetros de distância da boca da mina.
Rafael era bombeiro de frente e, segundo informações repassadas pela assessoria de imprensa da empresa, não houve deto-nação no momento do acidente. "Quando chegamos no local ele já havia falecido. Mas os colegas afirmaram que ele ainda pediu para tirar a pedra da perna, e morreu em seguida. Conforme nos repassaram os colegas, ele teria ido analisar um local para fazer o bombeamento da água. Vamos abrir inquérito para apurar as causas da morte", informou o delegado.
De acordo com o agente de engenharia de segurança do trabalho, do Ministério do Trabalho, Roberto Lodetti, o local não estava escorado. "Estavam em uma área isolada, o local não estava escorado. Entrou onde não devia ter entrado. Agora vamos apurar os motivos por que ele foi naquele local e entender o que aconteceu. Ver se a pedra caiu sem sinalização, ver se a pedra foi fator determinante para a morte, entre ou-tros. Precisamos aguardar as causas levantadas pelo IML, para apurar", explicou. A conclusão do Ministério deve sair em 25 dias.
Terceiro caso de acidente fatal em minas neste ano
Morador da Vila Zuleima, em Criciúma, Rafael, que carinhosamente foi apelidado pelos companheiros de "Emília", trabalhava na empresa desde 7 de março de 2006 e deixa esposa, grávida de sete meses do primeiro filho do casal. Este é o terceiro acidente com morte registrado em minas da região neste ano. Outros dois aconteceram em março, na Carbonífera Metropolitana e Cooperminas. Em março do ano passado, a Carbonífera Criciúma passou por um incêndio, em que 23 mineiros sofreram intoxicação e queimaduras e dias depois o bombeiro Giovani França, 42 anos, que trabalhou no socorro, morreu no hospital. Conforme a assessora de imprensa da empresa, Joice Quadros, a mineradora tomou todas as providências necessárias no aspecto legal e de comunicação à família e aos órgãos de imprensa e, por enquanto, prefere não se manifestar.
Além do delegado Carlos Emílio e do agente de engenharia de segurança do trabalho, do Ministério do Trabalho, Roberto Lodetti, também estiveram no local do acidente os peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) Juarez Ferreira e Andreia Martins e Polícia Militar.
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