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Observatório do Carvão

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18/09/2011 Governo sinaliza opção por em energias renováveis e termelétrica de Treviso pode não sair

A implantação de uma termelétrica em Treviso, no Sul do Estado, corre o risco de não mais acontecer. A forte ameaça, em que pese a mobilização política em favor do carvão mineral, vem da parte do governo, que não inseriu esta matriz energética nos leilões federais, sinalizando pela preferência em relação a energias renováveis como a eólica, conforme ilustra reportagem do Diário Catarinense, edição de 18/9. Tal opção, além de seguir uma tendência mundial – países como a França não queimam mais carvão desde 2004 e a Alemanha deixa de usar o carvão na sua matriz energética em 2012 -, também está relacionada à importante redução de custos para a geração de energia eólica. Confira a seguir a reportagem do DC:


Energia do carvão em xeque


Opção do governo pelas fontes renováveis pode inviabilizar termelétrica no Sul do Estado, maior projeto privado catarinense


A Usina Termelétrica Sul Catarinense (Usitesc), que será construída em Treviso, no Sul do Estado, e maior empreendimento privado do Estado, avaliado em R$ 1,6 bilhão, corre sério risco de ficar só no papel porque o governo federal não quer comprar energia gerada a partir de carvão. A participação nos leilões estatais é fundamental para a construção de qualquer usina porque o governo é o principal comprador. Sem interesse público, a única saída seria vender no mercado livre, quando são fechados negócios diretamente com empresas, mas a direção da Usitesc declarou que a alternativa é inviável economicamente.

O barateamento da energia eólica está entre os principais motivos para explicar a situação complicada das termelétricas. No último leilão, realizado em junho, o megawatt/hora (MW/h) da eletricidade gerada a partir do vento fechou em R$ 99,54. Pelo primeira vez na história, o valor ficou abaixo das outras fontes. Para se ter ideia do quanto esta fonte ganhou competitividade, no ano passado, ela foi vendida por R$ 130. Hoje, está mais barata do que os R$ 103,11 pagos pelo MW/h das hidrelétrica e dos R$ 103,26 da térmica.

Para completar o cenário desfavorável à Usitesc, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), braço estatal que faz o planejamento brasileiro, informou que nos próximos leilões vai adquirir somente fontes renováveis – hidrelétrica, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), biomassa e eólica. Nada de carvão.

Em um leilão, vital para qualquer usina, o governo informa qual tipo de energia vai comprar e fixa um preço mínimo. A entrega é estipulada num prazo futuro. O leilão ocorrido em junho, por exemplo, prevê entrega em 2014. As empresas interessadas precisam provar que têm capacidade de cumprir o contrato e apresentar as propostas. Vence o melhor preço.

Os responsáveis pelo projeto de Treviso tentam reverter a situação. A iniciativa da região Sul é compreensível, porque a usina terá capacidade de produzir 440 MW (a Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, produz 756 MW) e vai consumir 2,5 milhões de toneladas de carvão. Isto significa que a compra desta matéria-prima vai dobrar.

O diretor da Usitesc, Caioá Gomes, é um dos cabeças da mobilização e diz que há empenho de políticos catarinenses e gaúchos, também donos de reservas de carvão. Na última quarta-feira, as bancadas do dois estados em Brasília entregaram um documento ao ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pedindo mudanças nas regras do leilão de energia que será realizado em dezembro. Os parlamentares querem a inclusão do carvão. De acordo com a assessoria de imprensa do deputado federal Edinho Bez (PMDB-SC), líder da bancada catarinense, haverá uma reunião quando a presidente Dilma tomar uma posição sobre o assunto.

Caioá afirma que, com o crescimento econômico, o Brasil vai precisar de energia. Ele acredita que, num prazo de dois anos, o carvão voltará aos editais dos leilões. Cada rodada de compra serve para garantir fornecimento de acordo com a previsão de aumento no consumo. A última compra, em agosto, se referia a projetos que funcionarão a partir de 2013. Mas a EPE escreveu, no Plano Decenal de Expansão, estudo que planeja a matriz energética até 2020, que a prioridade são energias renováveis.

felipe.pereira@diario.com.br
FELIPE PEREIRA

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