O conflito socioambiental gerado a partir do projeto de instalação de uma mina de carvão nas localidades de Santa Cruz e Esperança, em Içara, é um dos objetos de estudo de uma tese de doutorado recentemente defendida junto à UnB, em Brasília. O estudo foi realizado por Daniel Trento do Nascimento. Natural de Urussanga, o pesquisador buscou verificar em que medida os conflitos socioambientais e os desastres naturais provocados por fenômenos climáticos contribuem para o fortalecimento de ações ambientais, bem como a institucionalização da gestão ambiental nos municípios.
Ao abordar o problema, Nascimento apresenta dados que fragilizam o discurso de "geração de emprego e renda", defendido pelo setor carbonífero para justificar o empreendimento. Da mesma forma, questiona o caráter sustentável da atividade, incorporado pelas mineradoras nos últimos anos. Segundo ele, “em tempos de mudança climática no topo da agenda mundial, é curioso perceber que a região que mais tem sofrido com fenômenos climáticos no Brasil ainda tenha como prioridade a manutenção de uma atividade insustentável”. Para o pesquisador “é urgente que a região discuta novas formas de desenvolvimento que privilegiem outros setores de maior valor agregado e baixo impacto ambiental”.
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