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Observatório do Carvão

Atividade carbonífera e seus danos socioambientais em Santa Catarina

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Uma alternativa ao carvão mineral Juliano Giassi Goularti

O carvão mineral extraído do subsolo catarinense é transportado até o complexo termoelétrico Jorge Lacerda, no município de Capivari de Baixo, onde é realizada a queima para gerar energia elétrica, diga-se de passagem, altamente poluente. Nestes longos 100 anos de exploração da atividade, o ouro negro como é conhecido, foi diretamente responsável pela diversificação econômica da região de Criciúma, como também pelo gigante passivo ambiental. Não é por nada que a região sul de Santa Catarina é considerada a 14ª área crítica nacional de acordo com o Decreto Federal Nº. 85.206, de 1980, devido à brutal agressão causada pela extração, beneficiamento e queima do carvão mineral.

Vilão número um de a toda degradação ambiental da região sul, a atividade carbonífera sobrevive porque o governo federal subsidia parte da compra da matéria prima para que a Tractebel possa adquiri-lo junto às mineradoras. Certamente, “se” a atividade não fosse subsidiada, como quando foi cortada em 1990 pelo governo Collor, o setor já teria entrado em processo de falência, pois os investimentos necessários para manutenção da atividade são elevados. E segundo cálculos disponíveis no Ministério de Minas e Energia, o custo fixo R$ / KW ano do carvão mineral nacional é de R$ 57,80, enquanto que o da energia hídrica é de R$ 11,30, da biomassa R$ 46,00, da eólica também R$ 46,00 e do biodiesel R$ 28,00.

Com o avanço da tecnologia, tentou-se e ainda tenta-se criar um novo olhar sobre o carvão mineral. Um olhar limpo e não poluente. Porém, tal imagem é difícil de repassar, pois 70% da malha hidrográfica da região está comprometida com elevados teores de acidez e sulfato de ferro, além de aproximadamente 5 mil hectares de terras improdutivas em função dos rejeitos de pirita espalhados a céu aberto, contribuindo para o aquecimento global. Certamente, a mina abrindo na Içara, parte considerável da terra e dos afluentes serão comprometidos. Parafraseando o poema menina Joice da Silva, “o doce sabor de Içara passará a ser amargo”.

Em pleno século 21 não é mais aceitável um modelo energético tão nocivo sustentado na base da degradação perversa ao meio ambiente. Neste sentido, o biodiesel, publicizado pelos quatros quanto do mundo, e tido como a “menina dos olhos” do presidente Lula, é um novo modelo de desenvolvimento energético. Ainda por cima o biodiesel é 30% mais calórico (Kcal/kg) e 80% menos poluente que o carvão mineral.

Por fim, gostaria publicamente de parabenizar de maneira enfática a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a Associação Comercial e Industrial de Içara (ACII) e a União das Associações de Içara (UACI) pela tomada de decisão em favor do Movimento pela Vida, agora Movimento Içara pela Vida.

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