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Observatório do Carvão

Atividade carbonífera e seus danos socioambientais em Santa Catarina

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Queima de combustíveis fósseis e a alteração do ciclo global de nitrogênio Tadeu Santos

A partir da descoberta de que a queima de combustíveis fósseis altera o ciclo global de nitrogênio – fato divulgado pela imprensa internacional e por esse oportuno, corajoso e brilhante site “Observatório do Carvão” - esperamos que a comunidade ambientalista brasileira, e também a científica, passem a considerar a queima de combustíveis fósseis como extremamente maléfica ao meio ambiente. Ou seja, aos recursos naturais e à saúde humana.

Ao participar de um encontro sobre mudanças climáticas em BSA, um amigo fez um comentário sobre a solitária luta dos ambientalistas do Sul contra a queima do carvão mineral. Já não é tão solitária como no passado, agora temos os agricultores que resistem à instalação de minas próximas às suas produtivas terras, como temos também parte da mídia e uma grande parte da opinião pública contra qualquer atividade que degrade o meio ambiente. A pesquisa da Folha de São Paulo comprova a afirmação.

Porém, acima do Sul, as causas das emissões de gases efeito estufa e mudanças climáticas só são faladas/denunciadas em decorrência dos “criminosos desmatamentos” na Amazônia, que a legislação não permite. Enquanto que a matriz energética brasileira ainda permite a poluente queima do carvão mineral, mesmo na contramão da história e, pior ainda, sem uma legislação adequada que controle as emissões. Quem controla é a própria multinacional Tractebel/Suez. Mas, perguntamos, dá para confiar na raposa cuidando do galinheiro?

Com a descoberta publicada na Science, sob o título “Anthropogenic impacts on nitrogen isotopes of ice-core nitrate”, reforça-se a existência da famigerada chuva ácida que compromete paulatina e silenciosamente toda a biodiversidade, num raio de até 300 km de acordo com os ventos, conforme alerta do Professor Doutor Arsênio O. Sevá, da Unicamp. A floresta negra na Europa e os Lagos Ácidos entre os EUA e Canadá são a mais contundente prova que a emissão de SO² e NOx pode prejudicar frágeis ecossistemas. Estudos científicos comprovam que populações que vivem próximas a usinas térmicas ficam com sistema respiratório comprometido.

Por outro lado, mineiros que se sujeitam a trabalhar embaixo da terra para sobreviver, com baixa qualidade de vida, adquirem a incurável pneumonoconiose apenas com a poeira do carvão. Estamos alertando que o carvão mineral - combustível fóssil apontado pela ONU como maléfico e pelo relatório do ex-Diretor do Banco Mundial Nicholas Stern, como o principal causador do aquecimento global - promove danos irreversíveis ao meio ambiente, tanto aos recursos naturais quanto à qualidade de vida da população.

Se não for contida (ou no mínimo controlada) a queima de combustíveis fósseis no Brasil, não só a biodiversidade nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul estarão ameaçadas, mas também a dos estados do Ceará, Maranhão e Pará, com a instalação de usinas térmicas a carvão mineral importado.

OBS. Acreditamos que o Observatório do Carvão poderá proporcionar aproximação com o setor carbonífero e consequentemente resultar em democráticos debates sobre o conflito.

Tadeu Santos
Sócios da Natureza - ONG Conselheira do CONAMA Biênio 2009/2011.

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