Para o Brasil carvão (energia suja) é coisa do passado. Hoje o carvão mineral representa apenas 1,7% da geração de energia elétrica nacional. Ao contrário da Polônia, onde é 92,4%. Nas duas últimas décadas somente Santa Catarina extraiu do subsolo aproximadamente 130 milhões de toneladas para a produção, sendo que o volume de rejeito acumulado soma aproximadamente 250 milhões de toneladas e cobre hoje uma área de 5 mil hectares de terras (mais que o dobro da área do arquipélago de Fernando de Noronha), antes férteis e produtivas. Essa extração gerou emprego, renda, movimentou a economia e diversificou o parque industrial de Criciúma. Fruto da mineração, o Estado, sobretudo a região sul, acabou se tornando um verdadeiro queijo suíço.
Economicamente, o setor carbonífero sempre dependeu do apoio governamental para sobreviver. Quando o governo Collor acabou com os subsídios, as cotas, liberou a importação e desobrigou as siderúrgicas estatais de comprarem o carvão nacional, o complexo carbonífero sofreu um desmonte. A indústria carboquímica catarinense foi desativada, o lavador de Capivari fechado e o porto de Imbituba entrou em crise. E é bom lembrar que o carvão catarinense apresenta baixa qualidade, sendo que 75% é considerado rejeito e apenas 25% energético.
Agora, o maior legado deixado pelo carvão ao longo dos mais de cem anos de exploração é sem dúvida o passivo ambiental. Um exemplo é que os rios da região são viscosos e com pH que chega a 2. O pH 1 é o da água de bateria, o 4,5 mata a maioria dos peixes e 6 é o mínimo recomendado para o consumo humano. As águas que serviriam para abastecer as casas dos cerca de 600 mil habitantes da região de Criciúma são de coloração alaranjada (resultado da oxidação do ferro que compõe a pirita, material extraído com o carvão das minas). O rio Mãe Lusia, por exemplo, corre cerca de 90 quilômetros com águas ácidas.
Economicamente o carvão já deu sua contribuição para o crescimento da região. Só que essa contribuição trouxe custos elevados. Segundo estudos do governo do Estado, os custos para recuperar os 5 mil hectares degradados seriam algo em torno de R$ 250 milhões. Mas o Ministério das Minas e Energia trabalha com uma cifra de até R$ 1 bilhão. Muito se lucrou com a exploração de carvão mineral, porém pouco se investiu em recuperação ambiental.
Por fim, fica a mensagem de Albert Einstein, um dos mais famosos físicos de todos os tempos, certa vez, resumiu sua experiência de vida na seguinte frase: “É impossível resolver um problema com os mesmos ingredientes que causaram este problema”.
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